ALTA TENSÃO - COMERCIAL E INDUSTRIAL

Perdas de Energia

Perdas de Energia

por: SGT - publicado: 25/11/2015 16:30, última modificação: 19/04/2017 16:27

O sistema elétrico é dividido em geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. As distribuidoras recebem a energia dos agentes supridores (transmissoras, geradores ou outras distribuidoras), entregando-a aos consumidores finais, sejam eles residenciais, comerciais, rurais, industriais ou pertencente às demais classes. A energia medida pelas distribuidoras nas unidades consumidoras será sempre inferior à energia recebida dos agentes supridores. Essa diferença é denominada perda de energia e é segregada conforme sua origem.

Cabe à ANEEL definir a cada revisão tarifária um referencial regulatório de perdas que leve em consideração o desempenho da concessionária nos segmentos de perdas. As perdas podem ser segmentadas entre Perdas na Rede Básica, que são externas ao sistema de distribuição da concessionária e tem origem notadamente técnica, e as Perdas na Distribuição que podem ser de natureza técnica ou não técnica.

  • Perdas na Rede Básica (ou Transmissão): são aquelas que ocorrem entre a geração de energia elétrica nas usinas até o limite dos sistemas de distribuição. São apuradas mensalmente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, conforme dados de medição de geração e a energia entregue às redes de distribuição. A diferença entre elas resulta no valor de Perdas na Rede Básica e seu custo é rateado em 50% para geração e 50% para o consumo.
  • Perdas na Rede de Distribuição: aquelas que ocorrem dentro do próprio sistema de distribuição e podem ser divididas em duas categorias, conforme sua causa:
    • Perdas Técnicas: inerentes ao transporte da energia elétrica na rede, relacionadas à transformação de energia elétrica em energia térmica nos condutores (efeito joule), perdas nos núcleos dos transformadores, perdas dielétricas, etc. Podem ser entendidas como o consumo dos equipamentos responsáveis pela distribuição de energia.
    • Perdas Não Técnicas: correspondem à diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, considerando, portanto, todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, etc. Esse tipo de perda está associado à gestão comercial da distribuidora.

Para melhor entender as perdas, observe o exemplo a seguir:

 

As perdas técnicas de cada distribuidora são calculadas na revisão tarifária periódica conforme as regras definidas no Módulo 7 do PRODIST. De forma resumida, o sistema de distribuição é dividido de acordo com os segmentos de rede (alta, média e baixa tensão), transformadores, ramais de ligação e medidores. Aplicam-se então modelos específicos para cada um desses segmentos, utilizando-se informações simplificadas das redes e equipamentos existentes, como por exemplo, comprimento e bitola dos condutores, potência dos transformadores e energia fornecida às unidades consumidoras. Com base nessas informações, estima-se o percentual de perdas técnicas relativas à energia injetada na rede.

A ANEEL define os limites regulatórios de perdas não técnicas pela comparação de desempenho das distribuidoras, porém, respeitando as características socioeconômicas das áreas de concessão. Essa comparação se dá a partir da construção de um ranking de complexidade socioeconômica, que essencialmente classifica as áreas de concessão conforme o grau de dificuldade enfrentado para o combate as fraudes de energia nas respectivas áreas de concessão.

O referencial regulatório de perdas não técnicas, portanto, é estabelecido observando o desempenho histórico das perdas não técnicas da empresa em processo de revisão e os níveis de perdas reais praticados por empresas consideradas “comparáveis” e mais eficientes.

Maiores detalhes encontram-se no Submódulo 2.6 do PRORET.

Acesse aqui os valores de perdas regulatórias estabelecidas para as distribuidoras.