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5.6 Aspectos Socioambientais
Embora ainda muito restrito, o uso de biomassa para a geração
de eletricidade tem sido objeto de vários estudos e aplicações,
tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento.
Entre outras razões, estão a busca de fontes mais
competitivas de geração e a necessidade de redução
das emissões de dióxido de carbono.
Do ponto de vista técnico-econômico, os principais
entraves ao maior uso da biomassa na geração de energia
elétrica são a baixa eficiência termodinâmica
das plantas e os custos relativamente altos de produção
e transporte. De um modo mais genérico, incluindo aspectos
socioambientais, verifica-se a necessidade de maior gerenciamento
do uso e ocupação do solo, devido à falta de
regularidade no suprimento (sazonalidades da produção),
criação de monoculturas, perda de biodiversidade,
uso intensivo de defensivos agrícolas etc. Esses entraves
tendem a ser contornados, a médio e longo prazos, pelo desenvolvimento,
aplicação e aprimoramento de novas e eficientes tecnologias
de conversão energética da biomassa (CORTEZ; BAJAY;
BRAUNBECK, 1999) e por meio dos incentivos instituídos pelas políticas do setor elétrico, alguns dos quais foram citados no Capítulo 2.
Além de ambientalmente favorável, o aproveitamento energético e racional da biomassa tende a promover o desenvolvimento de regiões menos favorecidas economicamente, por meio da criação de empregos e da geração de receita, reduzindo o problema do êxodo rural e a dependência externa de energia, em função da sua disponibilidade local, conforme exemplo ilustrado no Quadro 5.1.
Além de ambientalmente favorável, o aproveitamento
energético e racional da biomassa tende a promover o desenvolvimento
de regiões menos favorecidas economicamente, por meio da
criação de empregos e da geração de
receita, reduzindo o problema do êxodo rural e a dependência
externa de energia, em função da sua disponibilidade
local, conforme exemplo ilustrado no Quadro 5.1.
| QUADRO 5.1 |
Exemplo de uso de óleos
vegetais na geração de energia elétrica |
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Óleo de andiroba pode substituir diesel
Carauari, 16/05/2000 - A comunidade de São Roque, localizada
no município de Carauari, a cerca de 800 km a sudoeste
de Manaus, no Amazonas, realiza este ano uma experiência
piloto, substituindo o diesel por óleo de andiroba,
em um gerador de energia de 144 kVA, especialmente adaptado.
A andiroba é uma árvore relativamente abundante
nas várzeas do rio Juruá, de cujas sementes
tradicionalmente se extrai óleo para produção
de sabão e sabonete caseiro. O uso em motores, no lugar
do diesel, tornou-se possível graças a uma nova
tecnologia de extração do óleo, 50% mais
produtiva, e de processos de depuração, ainda
em fase de testes. A adaptação do motor é
simples, apenas no sistema de pré-aquecimento, e foi
feita na Alemanha. O motor foi doado pela organização
não-governamental Biomass Users Network. Na ponta do
lápis, o óleo de andiroba é mais caro
do que o diesel, mas a alternativa pode ser uma solução
para comunidades muito isoladas, que hoje dependem de longas
viagens de barco para obter o diesel dos geradores de energia
e motores de popa das canoas e voadeiras (como são
chamados os barcos de alumínio). "O custo de produção
do óleo de andiroba está entre 1 e 1,5 real
o litro, enquanto o diesel aqui é comprado a R$0,85",
diz o engenheiro eletricista José de Castro Côrrea,
da Universidade do Amazonas, coordenador do projeto. "A
diferença fica menor se tirarmos o subsídio
do diesel e considerarmos que a queima do óleo de andiroba
não produz óxidos de enxofre (causadores da
chuva ácida) e não há emissão
de carbono (porque o crescimento da árvore seqüestra
o carbono emitido na queima do óleo)". O projeto
de pesquisa já tem 3 anos e vem atraindo a atenção
dos órgãos financiadores de pesquisas, como
o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas,
CNPq, e mesmo da Agência Nacional de Energia Elétrica,
ANEEL. Este ano, a comunidade de São Roque aumentou
a capacidade de produção de 60 para 450 kg de
andiroba por hora, o que rende aproximadamente 150 litros
de óleo por hora e equivale ao processamento de 60
toneladas de sementes por safra. Para os ribeirinhos de toda
a várzea do Juruá, a venda das sementes de andiroba
para uma futura usina de processamento de óleo é
tida como uma das poucas saídas para a atual estagnação
econômica da região. Castro ainda trabalha com
o aproveitamento da torta de andiroba (casca e polpa após
a retirada do óleo) para a fabricação
de velas e sprays repelentes de mosquitos. Além de
utilizar um resíduo, esses repelentes não são
tóxicos para o homem, como os de origem sintética.
A pesquisa sobre as propriedades repelentes da andiroba é
da Fundação Osvaldo Cruz e já existem
indústrias colocando estas velas no mercado.
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Fonte: JHON, Liana. Óleo de andiroba pode substituir diesel.
Agência Estado, 2000.
Disponível em: www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2000/mai/16/40.htm.
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