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8.5 Impactos Socioambientais
Os maiores impactos socioambientais do carvão
decorrem de sua mineração, que afeta principalmente
os recursos hídricos, o solo e o relevo das áreas
circunvizinhas. A abertura dos poços de acesso aos trabalhos
de lavra, feita no próprio corpo do minério, e o uso
de máquinas e equipamentos manuais, como retroescavadeiras,
escarificadores e rafas, provocam a emissão de óxido
de enxofre, óxido de nitrogênio, monóxido de
carbono e outros poluentes da atmosfera.
Durante a drenagem das minas, feita por meio de bombas, as águas
sulfurosas são lançadas no ambiente externo, provocando
a elevação das concentrações de sulfatos
e de ferro e a redução de pH no local de drenagem.
O beneficiamento do carvão gera rejeitos sólidos,
que também são depositados no local das atividades,
criando extensas áreas cobertas de material líquido,
as quais são lançadas em barragens de rejeito ou diretamente
em cursos de água. Grande parte das águas de bacias
hidrográficas circunvizinhas é atingida pelo acúmulo
de materiais poluentes (pirita, siltito e folhelhos). As pilhas
de rejeito são percoladas pelas águas pluviais, ocasionando
a lixiviação de substâncias tóxicas que
contaminam os lençóis freáticos. A posterior
separação de carvão coqueificável de
outras frações de menor qualidade forma novos depósitos
que cobrem muitos hectares de solos cultiváveis.
No Brasil, a região Sul é a que apresenta maiores
transtornos relacionados ao impacto da extração de
carvão. As cidades de Siderópolis e Criciúma
estão entre as que apresentam graves problemas socioambientais.
Em virtude dos rejeitos das minas de carvão, a cidade de
Siderópolis enfrenta a ocupação desordenada
das terras agricultáveis. Os trabalhadores das minas e seus
familiares também são afetados diretamente pelas emanações
de poeiras provenientes desses locais. Doenças respiratórias,
como asma, bronquite, enfisema pulmonar e até mesmo a pneumoconiose,
estão presentes no cotidiano dessa população.
Além dos referidos impactos da mineração,
a queima de carvão em indústrias e termelétricas
provoca graves impactos socioambientais, em face da emissão
de material particulado e de gases poluentes, dentre os quais se
destacam o dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos de
nitrogênio (NOx). Além de prejudiciais à saúde
humana, esses gases são os principais responsáveis
pela formação da chamada chuva ácida, que provoca
a acidificação do solo e da água e, conseqüentemente,
alterações na biodiversidade, entre outros impactos
negativos, como a corrosão de estruturas metálicas.
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