|

4.10 Aspectos Socioambientais
O aproveitamento de potenciais hidráulicos para a geração
de energia elétrica requer, muitas vezes, a formação
de grandes reservatórios e, conseqüentemente, a inundação
de grandes áreas. Na maioria dos casos, trata-se de áreas
produtivas e/ou de grande diversidade biológica, o que exige,
previamente, a realocação de grandes contingentes de
pessoas e animais silvestres.
A formação de reservatórios de acumulação
de água e regularização de vazões, por
sua vez, provoca alterações no regime das águas
e a formação de microclimas, favorecendo certas espécies
(não necessariamente as mais importantes) e prejudicando
ou até mesmo extinguindo outras. Entre as espécies
nocivas à saúde humana, destacam-se parasitas e transmissores
de doenças endêmicas, como a malária e a esquistossomose.
Dois exemplos internacionais de graves problemas decorrentes de
empreendimentos hidrelétricos são Akossombo (Gana)
e Assuam (Egito). Além de alterações de ordem
hídrica e biológica, esses projetos provocaram o aumento
da prevalência da esquistossomose mansônica, que em
ambos os casos ultrapassou o índice de 70% da população
local e circunvizinha, entre outros transtornos de ordem cultural,
econômica e social (ANDREAZZI, 1993).
Há também os perigos de rompimento de barragens e
outros acidentes correlatos, que podem causar problemas de diversas
ordens e dimensões. Um exemplo clássico é o
de Macchu, na Índia, onde 2.500 pessoas pereceram, em razão
da falha de uma barragem em 1979 (ELETRONUCLEAR, 2001). Por tudo
isso é necessário realizar estudos prévios
e medidas preventivas a respeito do impacto sócio-ambiental
potencial decorrente da implantação de um determinado
empreendimento hidrelétrico.
No Brasil, há vários exemplos de grandes impactos
socioambientais decorrentes de empreendimentos hidrelétricos,
como Tucuruí e Balbina, na Amazônia, e Sobradinho,
no Nordeste do País.
É importante, porém, ressaltar que esses e outros
impactos indesejáveis não são entraves absolutos
à exploração dos potenciais remanescentes.
Primeiramente, porque os maiores aproveitamentos já foram
realizados. Em segundo lugar, porque esses impactos podem ser evitados
ou devidamente mitigados com estudos prévios (geológicos,
hidrológicos e socioambientais), exigidas pelo poder concedente
e pelos órgãos legislativos.
Os graves e indesejados impactos de grandes hidrelétricas
do passado tiveram como efeito positivo a incorporação
da variável ambiental e de outros aspectos no planejamento
do setor elétrico, principalmente na construção
de novos empreendimentos.
Também é importante mencionar a existência
de ações atuais de mitigação de impactos
causados no passado, o que já se tornaram atividade importante
de muitas empresas, por força da lei ou espontaneamente.
Outro aspecto a ser mencionado é o de que impactos negativos
inevitáveis podem (e devem) ser devidamente compensados por
impactos positivos. Além da geração de energia
elétrica, um empreendimento hidrelétrico pode proporcionar
uma série de outros benefícios, como contenção
de cheias, transporte hidroviário, turismo/recreação
etc.
|