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3.2 Radiação Solar
Além das condições atmosféricas (nebulosidade,
umidade relativa do ar etc.), a disponibilidade de radiação
solar, também denominada energia total incidente sobre a superfície
terrestre, depende da latitude local e da posição no
tempo (hora do dia e dia do ano). Isso se deve à inclinação
do eixo imaginário em torno do qual a Terra gira diariamente
(movimento de rotação) e à trajetória
elíptica que a Terra descreve ao redor do Sol (translação
ou revolução), como ilustrado na Figura 3.1.
| FIGURA 3.1 |
Representação
das estações do ano e do movimento da Terra em
torno do Sol |

Fonte: MAGNOLI, D.; SCALZARETTO. R. Geografia, espaço, cultura
e cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. v. 1. (Adaptado)
Desse modo, a duração solar do dia - período
de visibilidade do Sol ou de claridade - varia, em algumas regiões
e períodos do ano, de zero hora (Sol abaixo da linha do horizonte
durante o dia todo) a 24 horas (Sol sempre acima da linha do horizonte).
Como indicado na Tabela 3.1, as variações são
mais intensas nas regiões polares e nos períodos de
solstício. O inverso ocorre próximo
à linha do Equador e durante os equinócios. O mapa da Figura 3.2 apresenta a média
anual de insolação diária, segundo o Atlas
Solarimétrico do Brasil (2000).
A maior parte do território brasileiro está localizada
relativamente próxima da linha do Equador, de forma que não
se observam grandes variações na duração
solar do dia. Contudo, a maioria da população brasileira
e das atividades socioeconômicas do País se concentra
em regiões mais distantes do Equador. Em Porto Alegre, capital
brasileira mais meridional (cerca de 30º S), a duração
solar do dia varia de 10 horas e 13 minutos a 13 horas e 47 minutos,
aproximadamente, entre 21 de junho e 22 de dezembro, respectivamente.
Desse modo, para maximizar o aproveitamento da radiação
solar, pode-se ajustar a posição do coletor ou painel
solar de acordo com a latitude local e o período do ano em
que se requer mais energia. No Hemisfério Sul, por exemplo,
um sistema de captação solar fixo deve ser orientado
para o Norte, com ângulo de inclinação similar
ao da latitude local.
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TABELA 3.1
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Duração solar
do dia, em horas, em diferentes latitudes e períodos
do ano * |
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Fonte: Elaborado a partir de VIANELLO, R. L.; ALVES, A. R. Meteorologia
básica e aplicações. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 1991.
(*) Os dados foram
obtidos por meio das seguintes equações [Vianello &
Alves, 1991]: i) Declinação solar, em graus, ß=
23,45 x sen[360x(284 + J)/365] (Equação de Cooper, 1969),
onde J é o dia juliano e varia de 1 (1 de janeiro) a 365 (31
de dezembro); ii) ângulo horário, H = Cos -1(-tgØ
x tgß), onde Ø é a latitude local; iii) Duração
solar do dia, D = 2xH/15.
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FIGURA 3.2
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Média anual de insolação
diária no Brasil (horas) |
Fonte: ATLAS
Solarímétrico do Brasil. Recife : Editora Universitária
da UFPE, 2000. (Adaptado)
Como indicado anteriormente, a radiação solar depende
também das condições climáticas e atmosféricas.
Somente parte da radiação solar atinge a superfície
terrestre, devido à reflexão e absorção
dos raios solares pela atmosfera. Mesmo assim, estima-se que a energia
solar incidente sobre a superfície terrestre seja da ordem
de 10 mil vezes o consumo energético mundial (CRESESB, 1999).
No Brasil, entre os esforços mais recentes e efetivos de
avaliação da disponibilidade de radiação
solar, destacam-se os seguintes: a) Atlas Solarimétrico do
Brasil, iniciativa da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE
e da Companhia Hidroelétrica do São Francisco - CHESF,
em parceria com o Centro de Referência para Energia Solar
e Eólica Sérgio de Salvo Brito - CRESESB; b) Atlas
de Irradiação Solar no Brasil, elaborado pelo Instituto
Nacional de Meteorologia - INMET e pelo Laboratório de Energia
Solar - LABSOLAR, da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
O Atlas Solarimétrico do Brasil (2000) apresenta uma estimativa
da radiação solar incidente no país, resultante
da interpolação e extrapolação de dados
obtidos em estações solarimétricas distribuídas
em vários pontos do território nacional. Devido, porém,
ao número relativamente reduzido de estações
experimentais e às variações climáticas
locais e regionais, o Atlas de Irradiação Solar no
Brasil faz estimativas da radiação solar a partir
de imagens de satélites.
Como lembrado por pesquisadores do Centro de Pesquisas de Eletricidade
- CEPEL, ambos os modelos apresentam falhas e limites e não
devem ser vistos como concorrentes. Ao contrário, devem ser
complementares, na medida em que reúnem o máximo possível
de dados e podem, dessa forma, melhorar as estimativas e avaliações
da disponibilidade de radiação solar no Brasil (CRESESB,
1999).
As Figuras 3.4 e 3.5 apresentam o índice médio anual
de radiação solar no País, segundo o Atlas
Solarimétrico do Brasil (2000) e o Atlas de Irradiação
Solar no Brasil (1998), respectivamente. Como pode ser visto, os
maiores índices de radiação são observados
na região Nordeste, com destaque para o Vale do São
Francisco.
É importante ressaltar que mesmo as regiões com menores
índices de radiação apresentam grande potencial
de aproveitamento energético. Como se poderá observar
nos próximos itens, existe uma infinidade de pequenos aproveitamentos
da energia solar no Brasil, mas isso ainda é pouco significativo,
diante do grande potencial existente.
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