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3.4.1 Aquecimento de Água
A tecnologia do aquecedor solar já vem sendo usada no Brasil
desde a década de 60, época em que surgiram as primeiras
pesquisas. Em 1973, empresas passaram a utilizá-la comercialmente
(ABRAVA, 2002).
Segundo informações da Associação Brasileira
de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação
e Aquecimento (ABRAVA, 2002), existiam até recentemente cerca
de 500.000 coletores solares residenciais instalados no Brasil.
Somente com aquecimento doméstico de água para banho,
são gastos anualmente bilhões de kWh de energia elétrica(9),
os quais poderiam ser supridos com energia solar, com enormes vantagens
socioeconômicas e ambientais. Mais grave ainda é o fato de que quase toda essa energia costuma ser consumida em horas específicas do dia, o que gera uma sobrecarga no sistema elétrico.
Além disso, há
uma enorme demanda em prédios públicos e comerciais,
que pode ser devidamente atendida por sistemas de aquecimento solar
central.
Embora pouco significativos diante do grande potencial existente,
já há vários projetos de aproveitamento da
radiação solar para aquecimento de água no
País. Essa tecnologia tem sido aplicada principalmente em
residências, hotéis, motéis, hospitais, vestiários,
restaurantes industriais e no aquecimento de piscinas. Em Belo Horizonte,
por exemplo, já são mais de 950 edifícios que
contam com este benefício e, em Porto Seguro, 130 hotéis
e pousadas (ABRAVA, 2002). A Figura 3.8 ilustra um exemplo comercial
de aproveitamento térmico da energia solar na cidade de Belo
Horizonte - MG, o qual se tornou referência em energia solar
térmica. O sistema possui área total de 804 m2 de
coletores solares e capacidade de armazenamento de água de
60.000 litros. Entre outros exemplos encontrados em Belo Horizonte,
destaca-se o do Centro de Operações da ECT, que possui
área total de 100 m2 de coletores e capacidade de armazenamento
de água de 10.000 litros (CRESESB, 2000).
Um dos principais entraves à difusão da tecnologia
de aquecimento solar de água é o custo de aquisição
dos equipamentos, particularmente para residências de baixa
renda. Mas a tendência ao longo dos anos é a redução
dos custos, em função da escala de produção,
dos avanços tecnológicos, do aumento da concorrência
e dos incentivos governamentais.
Fatores que têm contribuído para o crescimento do
mercado são: a divulgação dos benefícios
do uso da energia solar; a isenção de impostos que
o setor obteve; financiamentos, como o da Caixa Econômica
Federal, aos interessados em implantar o sistema; e a necessidade
de reduzir os gastos com energia elétrica durante o racionamento
em 2001 (ABRAVA, 2002). Também são crescentes as aplicações
em conjuntos habitacionais e casas populares, como nos projetos
Ilha do Mel, Projeto Cingapura, Projeto Sapucaias em Contagem, Conjuntos
Habitacionais SIR e Maria Eugênia (COHAB) em Governador Valadares
(ABRAVA, 2002). Outro elemento propulsor dessa tecnologia é
a Lei n° 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe
sobre a Política Nacional de Conservação e
Uso Racional de Energia e a promoção da eficiência
nas edificações construídas no País.
| FIGURA
3.8 |
Sistema comercial de
aquecimento solar de água
(Belo Horizonte MG) |
O crescimento médio no setor, que já conta com aproximadamente
140 fabricantes e possui uma taxa histórica de crescimento
anual de aproximadamente 35%, foi acima de 50% em 2001. Em 2002,
foram produzidos no país 310.000 m² de coletores solares
(ABRAVA, 2002).
(9) Nesta estimativa,
considerou-se que o chuveiro/aquecedor elétrico representa
cerca de 25% do consumo residencial de energia elétrica e tomou-se
como referência os dados de 1998 (MME, 1999). |