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3.4.2 Sistemas Fotovoltaicos
Existe uma infinidade de pequenos projetos nacionais de geração
fotovoltaica de energia elétrica, principalmente para o suprimento
de eletricidade em comunidades rurais e/ou isoladas do Norte e Nordeste
do Brasil. Esses projetos atuam basicamente com quatro tipos de sistemas:
i) bombeamento de água, para abastecimento doméstico,
irrigação e piscicultura; ii) iluminação
pública; iii) sistemas de uso coletivo, tais como eletrificação
de escolas, postos de saúde e centros comunitários;
e iv) atendimento domiciliar. Entre outros, estão as estações
de telefonia e monitoramento remoto, a eletrificação
de cercas, a produção de gelo e a dessalinização
de água. A seguir são apresentados alguns exemplos desses
sistemas.
| FIGURA
3.9 |
Sistema fotovoltaico de
bombeamento de água para irrigação (Capim
Grosso - BA) |
A Figura 3.9 apresenta um exemplo de sistema flutuante de bombeamento
de água para irrigação, instalado no Açude
Rio dos Peixes, Município de Capim Grosso - BA. O sistema
é formado por 16 painéis M55 da Siemens e uma bomba
centrífuga de superfície Mc Donald de 1 HP DC. Em
época de cheia, o sistema fica a 15 m da margem do açude
e bombeia água a uma distância de 350 m, com vazão
de 12 m³ por dia. Trata-se de uma parceria entre o National Renewable
Energy Laboratory - NREL, o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica
- CEPEL e a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia - COELBA,
tendo ainda a participação da Secretaria de Agricultura
e Irrigação do Estado da Bahia e da Associação
de Moradores de Rio do Peixe (CRESESB, 2000).
Outro exemplo de bombeamento fotovoltaico de água, este
na região do Pontal do Paranapanema (Extremo-Oeste do Estado
de São Paulo), é apresentado na Figura 3.10. O reservatório
tem capacidade de armazenamento de 7.500 litros e altura manométrica
de 86 metros, abastecendo 43 famílias. O sistema fotovoltaico
é constituído de 21 módulos MSX 70, com potência
nominal de 1.470 Wp (IEE, 2000). Entre novembro de 1998 e janeiro
de 1999, cerca de 440 famílias foram beneficiadas em toda
a região (Tabela 3.4) (IEE, 2000).
| FIGURA 3.10 |
Sistema de bombeamento
fotovoltaico - Santa Cruz I (Mirante do Paranapanema - SP) |
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Fonte: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP. Instituto
de Eletrotécnica e Energia - IEE. Formação
técnica. São Paulo: 2000.
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No Vale do Ribeira, situado no litoral Sul de São Paulo,
foram instalados diversos sistemas de eletrificação
de escolas, postos de saúde e unidades de preservação
ambiental (estações ecológicas, parques estaduais
etc.), além de atendimento a pequenas comunidades rurais.
A Figura 3.11 apresenta o caso do Núcleo Perequê, constituído
por laboratórios de pesquisa, tanques de cultivos para a
fauna marinha, auditório para conferências e seminários,
alojamentos com refeitório, cozinha e gabinetes de estudo
(IEE, 2000).
| FIGURA 3.11 |
Sistema de eletrificação
fotovoltaica do Núcleo Perequê (Vale do Ribeira
- SP) |
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Fonte: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP. Instituto
de Eletrotécnica e Energia - IEE. Formação
técnica. São Paulo: 2000.
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| TABELA 3.3 |
Sistemas de bombeamento
de água na região do Pontal do Paranapanema
- SP |
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Fonte: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP. Instituto de Eletrotécnica
e Energia - IEE. Formação técnica. São
Paulo: 2000.
A Figura 3.12 exemplifica um sistema de atendimento domiciliar
instalado no âmbito do projeto Ribeirinhas. Esse projeto constitui
uma ação estratégica do Programa Nacional de
Eletrificação "Luz no Campo" e tem como
objetivo a implantação, em localidades ribeirinhas
na região Amazônica, de sistemas baseados em fontes
alternativas para geração de energia elétrica.
O projeto é conduzido pelo CEPEL e pela ELETROBRAS, em colaboração
com a Universidade Federal do Amazonas (GUSMÃO et al, 2001).
| FIGURA 3.12 |
Sistema fotovoltaico para
atendimento domiciliar - Projeto Ribeirinhas |
Existem também sistemas híbridos, integrando painéis
fotovoltaicos e grupos geradores a diesel. No município de
Nova Mamoré, Estado de Rondônia, está em operação,
desde abril de 2001, o maior sistema híbrido solar-diesel
do Brasil (Figura 3.13). O sistema a diesel possui 3 motores de
54 kW, totalizando 162 kW de potência instalada. O sistema
fotovoltaico é constituído por 320 painéis
de 64 W, perfazendo uma capacidade nominal de 20,48 kW. Os painéis
estão dispostos em 20 colunas de 16 painéis, voltados
para o norte geográfico, com inclinação de
10 graus em relação ao plano horizontal, ocupando
uma área de aproximadamente 300 m2. Esse sistema foi instalado
pelo Laboratório de Energia Solar - Labsolar da Universidade
Federal de Santa Catarina - UFSC, no âmbito do Projeto BRA/98/019,
mediante contrato de prestação de serviços,
celebrado entre a ANEEL/PNUD e a Fundação de Amparo
à Pesquisa e Extensão Universitária - FAPEU
daquela Universidade.
Uma significativa parcela dos sistemas fotovoltaicos existentes
no País foi instalada no âmbito do Programa de Desenvolvimento
Energético de Estados e Municípios - PRODEEM, instituído
pelo Governo Federal, em dezembro de 1994, no âmbito da Secretaria
de Energia do Ministério de Minas e Energia - MME. Desde
a sua criação, foram destinados US$ 37,25 milhões
para 8.956 projetos e 5.112 kWp (quilowatt-pico) de potência.
Como indicado na Tabela 3.4, esses projetos incluem bombeamento
de água, iluminação pública e sistemas
energéticos coletivos. A maioria dos sistemas do Prodeem
são sistemas energéticos e instalados em escolas rurais.
Na Fase V todos os 3.000 sistemas são iguais, capazes de
fornecer diariamente cerca de 1.820 Wh, com a seguinte composição:
seis painéis de 120 Wp (total de 720 Wp); oito baterias de
150 Ah (total de 1.200 Ah); e um inversor de 900 Watts (110 ou 220
V) (MME, 2003).
| FIGURA 3.13 |
Sistema híbrido
solar-diesel de Araras, Nova Mamoré - RO |
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Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA
- ANEEL. Principais realizações 1998/2000.
Brasília, 2000.
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Uma síntese por região e unidade da Federação
dos sistemas fotovoltaicos de geração de energia elétrica
no Brasil instalados pelo Prodeem é apresentada na Tabela
3.5. Como se observa, a grande maioria desses sistemas localiza-se
nas regiões Norte e Nordeste do País.
Uma visão geográfica mais detalhada da distribuição
dos sistemas fotovoltaicos instalados por todo o País é
dificultada pelos seguintes fatores: a natureza desses projetos;
a sua localização, espalhados por pequenas e remotas
localidades no território nacional; e a multiplicidade empresas
e instituições(10) envolvidas na sua implantação
e operação.
| TABELA 3.4 |
Projetos fotovoltaicos coordenados
pelo Prodeem/MME* |
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Fonte: BRASIL. Ministério de Minas e Energia - MME. Programa
de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios
- PRODEEM. 2003.
(*) Observações:
a. Os sistemas energéticos incluem módulos, baterias,
controladores, inversores CC/CA e estrutura de fixação
dos módulos.
b. Os sistemas de bombeamento incluem módulos, inversores/controladores,
bombas d'água e estrutura de fixação dos módulos.
c. Dados das Fases I e II fornecidos pelo CEPEL.
| TABELA 3.5 |
Distribuição
regional dos sistemas fotovoltaicos instalados pelo Prodeem
até o ano de 2002 |
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Fonte: BRASIL.
Ministério de Minas e Energia - MME. Programa de Desenvolvimento
Energético de Estados e Municípios - PRODEEM. 2003.
(10) Esses projetos
são implementados e/ou monitorados por grande número
de instituições públicas e privadas (secretarias
estaduais, prefeituras, universidades, empresas do setor elétrico
e fabricantes de equipamentos, entre outros).
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