1.4 – Metodologia Empregada e Estrutura de Apresentação

A diversidade de formatos dos dados necessários para o desenvolvimento de um SIG para o setor elétrico torna obrigatória, como primeira tarefa, a organização das informações existentes e o diagnóstico de sua qualidade. Além disso, considerando-se a imensa capacidade de gerenciamento dos SIGs, determinados dados podem ser analisados em diferentes níveis de agregação, dependendo da escala de trabalho e do tipo de combinação das camadas escolhidas. Entre outros, são exemplos desse tipo de cruzamento de dados a sobreposição do traçado das linhas de transmissão de energia elétrica com mapas de vegetação e uso do solo, o cruzamento do mapa de crescimento populacional com o de degradação ambiental e a verificação das interferências de reservatórios de usinas hidrelétricas com terras agricultáveis e urbanas. Essa sobreposição pode ser apenas gráfica, gerando mapas que permitem a visualização simultânea de diferentes temas - contidos em camadas específicas de informação - e a inter-relação de dados de diferentes camadas.

No esforço para reunir uma grande diversidade de informações, corre-se o risco de trabalhar com dados de diferentes períodos, áreas de abrangência e níveis de desagregação. De modo geral, na elaboração deste Atlas, procurou-se trabalhar com informações atualizadas, abrangentes e com o maior nível de desagregação possível. Contudo, há casos em que as informações não são muito recentes, não cobrem a totalidade do território brasileiro ou são pouco desagregadas. Parte da defasagem presente neste trabalho e em diversos sistemas de informação deve-se à periodicidade com que muitos dados são coletados, como aqueles do censo demográfico, realizado a cada dez anos.

Em relação à cobertura das informações, há casos em que a disponibilidade de dados varia substancialmente de uma região para outra, devido à natureza do tema investigado e à própria diversidade regional do país. Quanto à desagregação, há situações em que a informação disponível não é desagregada no nível da unidade geográfica mais conveniente. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD/IBGE, por exemplo, toma como referência a unidade da Federação, de modo que é impossível o tratamento dos dados por município ou microrregião geográfica.

No caso da energia hidráulica, tomou-se como referência as sub-bacias hidrográficas(1). Dessa forma, foram mapeados os potenciais inventariados, a capacidade instalada e as usinas hidrelétricas por faixa de potência, área alagada e situação (outorgada, construção, operação etc.). Para as demais fontes primárias, as referências foram as unidades da Federação, regiões e mesorregiões da Federação, sendo mapeadas as usinas por faixa de potência, situação (outorgada, construção, operação etc.), capacidade instalada e, para alguns casos, potenciais estudados. Para as demais informações, em geral, optou-se pela divisão do território em regiões, estados ou municípios.

No contexto mundial, a agregação de dados foi realizada por país, tomando-se por base o biênio 1998-1999. Esse procedimento diminui sensivelmente a precisão das informações, que passam a se referir a todo o polígono que representa um determinado país. A finalidade, porém, é estabelecer uma visão panorâmica de aspectos globais importantes, como a disponibilidade de recursos energéticos utilizados em grande escala, entre os quais os combustíveis fósseis e a energia hidráulica.

Outra preocupação metodológica foi buscar informações relevantes para o diagnóstico e a gestão da energia no Brasil, não só nas empresas governamentais, mas também em entidades privadas e de economia mista. Para tanto, partiu-se da premissa de que muitos órgãos do governo estão tomando essa iniciativa, recorrendo ao trabalho de empresas e/ou consultores independentes. Além de trabalhos técnicos produzidos pela própria ANEEL, contribuíram com dados, informações, críticas e/ou sugestões as seguintes instituições: Centro Nacional de Referência em Biomassa - CENBIO/USP, Centro de Referência para a Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito - CRESESB /CEPEL, Centro Brasileiro de Energia Eólica - CBEE/UFPE, Centrais Elétricas do Brasil S.A. - Eletrobrás, Ministério de Minas e Energia - MME, Agência Nacional do Petróleo - ANP, Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético - NIPE/Unicamp, Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia - COPPE/UFRJ, Laboratório de Energia Solar - LABSOLAR/UFSC, Centro de Referência em Pequenas Centrais Hidrelétricas - CERPCH/UNIFEI, Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica - ABRADEE, Instituto de Pesquisas Aplicadas - IPEA, Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento - ABRAVA e Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS.

A pesquisa bibliográfica se concentrou basicamente na produção, transmissão e distribuição de energia elétrica, assim como nos impactos socioeconômicos e ambientais das diferentes fontes e formas de suprimento energético. Enfoque especial foi dado às fontes e tecnologias não-convencionais de geração, incluindo dados históricos, metas e previsões sobre a participação dessas fontes no suprimento futuro de energia elétrica.

Por fim, considerando-se que esse diagnóstico, de efeito informativo e didático, é um passo importante para a integração de ações, publicação de dados energéticos e atualização das informações já existentes, decidiu-se que o arquivamento dos textos e as ilustrações gráficas fossem feitos integralmente em meio digital. Tal procedimento permite que o trabalho final seja atualizado periodicamente e apresentado em diferentes mídias.

Em relação à estrutura de apresentação, o trabalho é composto por 11 capítulos, segundo a organização e configuração do setor elétrico brasileiro, as fontes e tecnologias de geração, e os aspectos demográficos e socioeconômicos mais diretamente relacionados. A organização por fonte de geração (solar, hidráulica, biomassa, eólica, petróleo, carvão, gás natural, energia nuclear e outras fontes de geração) visa a facilitar o cruzamento e a análise de dados sobre potenciais energéticos, tecnologias de geração, capacidade instalada e usinas em construção, projeto ou análise.

Inicialmente são abordados aspectos institucionais do setor elétrico brasileiro e a configuração do sistema. Na seqüência, são apresentadas as fontes renováveis, começando com a energia solar, base de quase todas as demais fontes energéticas e a energia hidráulica. Biomassa e energia eólica completam a etapa das renováveis. Petróleo, carvão, gás natural, energia nuclear e outras não-renováveis completam as principais fontes para geração de energia elétrica no País. O trabalho é finalizado com uma abordagem do consumo e da demanda de energia elétrica no Brasil, e com a inserção de alguns indicadores socioeconômicos e demográficos importantes.


(1) O território brasileiro é dividido em 8 grandes bacias hidrográficas e 79 sub-bacias, segundo classificação definida pelo extinto Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica.
 Apresentação
 Sumário
 1 – Introdução
1.1 - Energia, Espaço Geográfico
e Desenvolvimento
  1.2 - Fontes e Sistemas de Informações Energéticas
  1.3 - Geoprocessamento de Informações Energéticas
  1.4 - Metodologia Empregada e Estrutura de Apresentação
 2 – Aspectos Institucionais
 3 – Energia Solar
 4 – Energia Hidráulica
 5 – Biomassa
 6 – Energia Eólica
 7 – Petróleo
 8 – Carvão Mineral
 9 – Gás Natural
 10 – Outras Fontes
 11 – Aspectos Socioeconômicos