
1.1 Energia, Espaço Geográfico
e Desenvolvimento.
A energia, nas suas mais diversas formas, é indispensável
à sobrevivência da espécie humana. E mais do que
sobreviver, o homem procurou sempre evoluir, descobrindo fontes e
maneiras alternativas de adaptação ao ambiente em que
vive e de atendimento às suas necessidades. Dessa forma, a
exaustão, a escassez ou a inconveniência de um dado recurso
tendem a ser compensadas pelo surgimento de outro(s). Em termos de
suprimento energético, a eletricidade se tornou uma das formas
mais versáteis e convenientes de energia, passando a ser recurso
indispensável e estratégico para o desenvolvimento socioeconômico
de muitos países e regiões.
No limiar do terceiro milênio, os avanços tecnológicos
em geração, transmissão e uso final de energia
elétrica permitem que ela chegue aos mais diversos
lugares do planeta, transformando regiões desocupadas ou
pouco desenvolvidas em pólos industriais e grandes centros
urbanos. Os impactos dessas transformações socioeconômicas
são facilmente observados em nosso cotidiano, até
mesmo através de imagens de satélite, como ilustrado
na Figura 1.1.
| FIGURA 1.1 |
Vista noturna da Terra a
partir de imagens de satélite |

Fonte: NATIONAL AERONAUTICS AND SPACE ADMINISTRATION (EUA) - NASA.
2003.
Disponível em: http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap001127.html.
Apesar dos referidos avanços tecnológicos e benefícios
proporcionados pela energia elétrica, cerca de um terço
da população mundial ainda não tem acesso a
esse recurso; dos dois terços restantes, uma parcela considerável
é atendida de forma muito precária. No Brasil, a situação
é menos crítica, mas ainda muito preocupante. Apesar
da grande extensão territorial do país e da abundância
de recursos energéticos, há uma grande diversidade
regional e uma forte concentração de pessoas e atividades
econômicas em regiões com problemas de suprimento energético.
Como revelado pelo último censo demográfico, mais
de 80% da população brasileira vive na zona urbana.
A grande maioria desse contingente está na periferia dos
grandes centros urbanos, onde as condições de infra-estrutura
são deficitárias.
Grande parte dos recursos energéticos do País se
localiza em regiões pouco desenvolvidas, distantes dos grandes
centros consumidores e sujeitos a restrições ambientais.
Promover o desenvolvimento econômico-social dessas regiões,
preservar a sua diversidade biológica e garantir o suprimento
energético das regiões mais desenvolvidas são
alguns dos desafios da sociedade brasileira. Torna-se, portanto,
fundamental o conhecimento sistematizado da disponibilidade de recursos
energéticos, das tecnologias e sistemas existentes para o
seu aproveitamento e das necessidades energéticas setoriais
e regionais do País.
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