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10.2.2 A Energia Nuclear no Contexto
do Setor Elétrico Brasileiro(23)
No final dos anos 1960, o Governo Brasileiro decidiu ingressar
na geração termonuclear, visando a conhecer melhor
essa tecnologia e a adquirir experiências para um futuro supostamente
promissor da opção nuclear, a exemplo do que ocorria
em vários outros países. Na época, cogitava-se
a necessidade de complementação térmica para
o suprimento de eletricidade no Rio de Janeiro. Decidiu-se, então,
que essa complementação ocorresse por meio da construção
de uma usina nuclear (Angra I), com capacidade nominal da ordem
de 600 MW, na cidade de Angra dos Reis - RJ.
A construção de Angra I (657 MW) teve início
em 1972. A primeira reação nuclear em cadeia ocorreu
em março de 1982 e a usina entrou em operação
comercial em janeiro de 1985. Mas logo após interromper suas
atividades, voltando a funcionar somente em abril de 1987, operando,
porém, de modo intermitente, até dezembro de 1990
(nesse período, operou com 600 MW médios durante apenas
14 dias). Entre 1991 e 1994, as interrupções foram
menores ou menos freqüentes, mas somente a partir de 1995 a
usina passou a ter operação regular.
Em junho de 1975, foi assinado com a República Federal da
Alemanha o Acordo de Cooperação para o Uso Pacífico
da Energia Nuclear. Em julho do mesmo ano, foi feita a aquisição
das usinas de Angra II e Angra III, junto à empresa alemã
Kraftwerk Union A.G. - KWU, subsidiária da Siemens. A construção
de Angra II (1.309 MW) teve início em 1976 e a previsão
inicial para a usina entrar em operação era 1983.
Em razão, porém, da falta de recursos, a construção
ficou paralisada durante vários anos e a operação
do reator ocorreu somente em julho de 2000, com carga de 200 MW
a 300 MW. Entre 20 de agosto e 3 de setembro daquele ano, a usina
funcionou regularmente, com 915 MW médios. A partir de então,
operou de modo intermitente até 9 de novembro, quando passou
a funcionar com potência de 1.365 MW médios.
(23) O conteúdo
deste item baseia-se no documento elaborado pelo Conselho Nacional
de Política Energética (CNPE), intitulado O Setor Elétrico
Brasileiro - Situação Atual e Perspectivas (CNPE, 2000). |