|

10.2.4 Aspectos Socioambientais
Embora seja a terceira maior fonte geradora de eletricidade no
mundo, evitando a emissão de consideráveis quantidades
de dióxido de carbono e outros poluentes, a energia nuclear
tem sido vista mais como um perigo de autodestruição
do que uma fonte ilimitada de energia, como esperado no início
do seu desenvolvimento tecnológico. O impacto ambiental de
usinas termonucleares tem sido muito enfatizado nas últimas
décadas, sendo hoje preocupação de movimentos
ambientalistas, tanto em termos globais como regionais. Além
de uma remota - mas não desprezível - possibilidade
de contaminação do solo, do ar e da água por
radionuclídeos, o aquecimento das águas do corpo receptor
pela descarga de efluentes também representa um risco para
o ambiente local.
As usinas termonucleares utilizam grandes quantidades de água
em seu sistema de refrigeração, que funciona em paralelo
com o circuito de água e vapor para geração
de energia elétrica. A separação desses sistemas
impede a contaminação dos efluentes por materiais
radioativos em condições rotineiras de funcionamento
das usinas. Em regiões costeiras, onde as usinas utilizam
água do mar para refrigeração, o lançamento
dessa água, combinado com outros fatores, como a pluviosidade,
a altura da termoclina, correntes, marés e regime de ventos,
tende a ocasionar alteração na temperatura natural
do corpo receptor. Nesse caso, uma tarefa imprescindível
é a separação dos efeitos naturais, como a
influência de massas oceânicas de água, insolação,
estratificação e correntes locais, dos efeitos da
descarga de águas de refrigeração. A Usina
de Angra I, situada na praia de Itaorna, no município de
Angra dos Reis, descarrega cerca de 30 m3 /s de água utilizada
para a refrigeração do sistema de geração
de energia elétrica no saco de Piraquara de Fora, baía
da Ilha Grande, no Estado do Rio de Janeiro.
Os perigos da autodestruição foram bem evidenciados
em abril de 1986, quando a explosão de um dos quatro reatores
da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, provocou o mais
trágico acidente nuclear da história. A nuvem radioativa
atingiu proporções gigantescas, cobrindo grande parte
do território europeu e atingindo milhões de pessoas.
Os danos causados pelo acidente foram incalculáveis e ainda
hoje há sérias conseqüências, entre as
quais mutações genéticas provocadas pela emissão
de material radioativo e contaminação do solo, da
vegetação e de corpos d'água.
|