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7.3 Uso de Derivados de Petróleo na
Geração de Eletricidade
A geração de energia elétrica a partir de
derivados de petróleo ocorre por meio da queima desses combustíveis
em caldeiras, turbinas e motores de combustão interna. O
caso das caldeiras e turbinas é similar ao dos demais processos
térmicos de geração e mais usado no atendimento
de cargas de ponta e/ou aproveitamento de resíduos do refino
de petróleo. Os grupos geradores a diesel são mais
adequados ao suprimento de comunidades e de sistemas isolados da
rede elétrica convencional.
Com exceção de alguns poucos países da OCDE,
o uso de petróleo para geração de eletricidade
tem sido decrescente desde os anos 1970. O obsoletismo das plantas
de geração, os requerimentos de proteção
ambiental e o aumento da competitividade de fontes alternativas
são os principais responsáveis por isso. Contudo,
o petróleo continua sendo muito importante na geração
de energia elétrica nesses países, principalmente
no suprimento de cargas de pico e no atendimento a sistemas isolados.
Entre 1960 e 1973, o uso de petróleo na geração
termelétrica cresceu a uma taxa média de 19% ao ano,
chegando a constituir 26% de toda geração de eletricidade
no mundo. Em alguns países (Japão, Dinamarca, Itália,
Irlanda e Portugal), chegou a representar 60%. Com a crise do petróleo,
nos anos 1970, o carvão voltou a ocupar maior expressividade
na geração de eletricidade, e fontes alternativas,
como o gás natural, tornaram-se mais atrativas (PAFFENBARGER,
1997). Segundo a mesma fonte, a capacidade instalada foi muito reduzida
e parte dela foi adaptada para o uso de outros combustíveis,
particularmente o gás natural. Em 2001 a participação
relativa do petróleo na geração de eletricidade
situou-se em torno de 7,5%, segundo a Agência Internacional
de Energia (2003).
Aproximadamente 47% da energia elétrica gerada em plantas
termelétricas que utilizam derivados de petróleo estão
concentrados em seis países (Tabela 7.2).
| TABELA
7.2 |
Capacidade instalada das
plantas termelétricas a derivados de petróleo
e parcela da geração de eletricidade nos países
da OCDE |
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| AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA - AIE. Key World Energy Statistics: from the IEA. Paris: IEA/OECD, 2003. |
A partir de 1980, a operação das plantas a óleo
começou a ser transferida da base para o pico de demanda
do sistema e, conseqüentemente, a taxa de utilização
(fator de capacidade) tem sido reduzida. Assim, a capacidade instalada
tem sido mais expressiva do que a geração de energia.
Nos anos 1980, a geração termelétrica a óleo
foi muito importante, em vários países (Holanda, Reino
Unido, Irlanda etc.) para a provisão de flexibilidade de
operação e planejamento do sistema. Atualmente, as
principais funções de um sistema termelétrico
a óleo são as seguintes:
1.Atendimento da demanda de ponta;
2.Provisão de flexibilidade de operação e planejamento;
3.Atendimento a sistemas remotos e/ou isolados;
4.Provisão de carga básica ou intermediária,
quando não há alternativas mais econômicas.
No caso do Brasil, onde historicamente a geração
de energia elétrica é predominantemente hídrica,
a geração térmica, particularmente com derivados
de petróleo, é pouco expressiva no âmbito nacional.
Contudo, tem desempenhado um papel importante no atendimento da
demanda de pico do sistema elétrico e, principalmente, no
suprimento de energia elétrica a municípios e comunidades
não atendidos pelo sistema interligado, como descrito no
capítulo 2.
Quanto à geração termelétrica a óleo
diesel, em setembro de 2003 havia 412 usinas em operação
no Brasil, perfazendo uma capacidade instalada de 4.193,72 MW. Esses
empreendimentos são predominantemente formados por pequenos
grupos geradores destinados ao atendimento de comunidades isoladas
da rede elétrica, principalmente na região Norte do
País, como ilustrado na Figura 7.3. Para maiores detalhes,
ver Anexo 6. Além destes
empreendimentos que utilizam diesel, havia ainda (Tabela 7.3) uma
usina com potência de 131 MW, operando com óleo ultra
viscoso (Igarapé, no Município de Mateus Leme - MG);
18 operando com óleo combustível, perfazendo cerca
1.036 MW; e mais 7 operando com gás de refinaria (produto
secundário), num total de 281,7 MW.
| TABELA 7.3 |
Usinas termelétricas
a óleo ultraviscoso, óleo combustível,
e gás de refinaria em operação no Brasil
em setembro de 2003 |
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| AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA - ANEEL. Banco de Informações de Geração - BIG. 2003. Disponível em: www.aneel.gov.br/15.htm. |
| FIGURA 7.3 |
Centrais termelétricas
em operação no Brasil (derivados de petróleo)
e potência instalada segundo unidades da Federação
- situação em setembro de 2003 |
Em relação aos novos empreendimentos, registra-se
a existência de treze autorizados, perfazendo uma potência
instalada de cerca de 774 MW. Entre esses projetos, destaca-se a
autorização para a construção da Central
Termelétrica COFEPAR, da Companhia de Fertilizantes e Energia
do Paraná Ltda., no Município de Araucária
- PR, que terá capacidade de geração de cerca
de 670 MW, a qual deverá utilizar óleo ultraviscoso
como combustível. Conforme tabela 7.4, não havia registro
de empreendimento em construção.
| TABELA
7.4 |
Futuras termelétricas (derivados de petróleo) - situação em setembro de 2003 |
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| Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA - ANEEL. Banco
de Informações de Geração - BIG. 2003. Disponível em: www.aneel.gov.br/15.htm. |
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