Boletim Energia
         Número 72
         16 a 22 de
         abril de 2003

Aneel divulga índices de revisão tarifária
de distribuidoras do Sul e do Nordeste

     A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publica hoje (17/04), no Diário Oficial da União, resoluções com o índice de reposicionamento tarifário de seis distribuidoras de energia submetidas este ano ao processo de Revisão Tarifária Periódica: Rio Grande Energia S/A (RGE), AES SUL Distribuidora Gaúcha de Energia S/A, Companhia Energética do Ceará (Coelce), Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern), Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) e Empresa Energética de Sergipe S/A (Energipe).
     Também foi definido o Fator X, mecanismo que reduz a aplicação do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a partir de abril de 2004, permitindo o repasse para as tarifas de parcelas dos ganhos de produtividade das empresas. Os índices de reposicionamento das duas concessionárias do Rio Grande do Sul entram em vigor no próximo sábado (19/04); os das distribuidoras do Nordeste, na terça-feira (22/04).
     Os percentuais resultantes da revisão são os seguintes:

Empresa

Índice de Reposic.
Tarifário

Fator X

Nº Unidades
Consumidoras

   AES SUL (RS)

16,14%

1,82%

968,5 mil

   RGE (RS)

27,36%

1,72%

1,023 milhão

   Coelce (CE)

31,29%

1,47%

2 milhões

   Cosern (RN)

11,49%

1,78%

750 mil

   Coelba (BA)

28,61%*

1,10%

3,1 milhões

   Energipe (SE)

29,71%*

1,40%

420 mil

*Reposicionamento tarifário em duas etapas

     
O reposicionamento em 2003 ficará limitado ao valor que as empresas teriam de reajuste tarifário anual, caso ele fosse praticado este ano. A revisão tarifária substitui o reajuste anual nos anos em que ela ocorre.Esse limite será aplicado às tarifas da Coelba e da Energipe, que terão reposicionamento em duas etapas. Na primeira, prevista para este ano, a concessionária da Bahia poderá aplicar 28,61%, e a de Sergipe 29,71%, valores correspondentes ao que seria seu reajuste anual.
     A diferença de 2,88 pontos percentuais em relação ao índice total de 31,49% da Coelba, e de 5,47 pontos percentuais em relação ao índice final de 35,18% da Energipe, será incorporada à tarifa dessas empresas em quatro parcelas anuais, de 2004 a 2007. Em 2008, as duas distribuidoras passarão novamente pelo processo de revisão tarifária. A proposta de escalonamento da reposição de tarifas tem o objetivo de amenizar o impacto do índice para o consumidor.
     Os valores do Fator X no quadro acima ainda poderão ser ajustados em razão da avaliação das empresas pelos consumidores no Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC) em 2003.

     Realinhamento - Os índices de reposicionamento tarifário terão aplicação diferenciada para as categorias de consumo, em razão do Decreto n º 4.667, de abril de 2003, devido ao fim gradual dos subsídios cruzados existentes entre grupos de consumo. Veja abaixo como ficará a aplicação dos índices por grupo de consumo para cada empresa:

Grupo

AES SUL

RGE

Coelce

Cosern

Coelba

Energipe

A1 (230 kV)

21,22%

30,15%

36,76%

-

32,01%

30,85%

A2 (88 a 138 kV)

19,52%

-

-

-

31,16%

-

A3 (69 kV)

21,73%

29,11%

34,38%

11,65%

29,38%

30,96%

A4 (2,3 a 25 kV)

17,24%

29,57%

31,56%

13,98%

29,60%

30,34%

Baixa Tensão
(abaixo de 2,3 kV)

14,46%

25,49%

30,62%

10,38%

28,11%

28,30%

     No caso das duas distribuidoras gaúchas, AES SUL e RGE, a Aneel não considerou, para efeito tarifário, a compensação do saldo da Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela A (CVA), conhecida como conta gráfica, que reúne os custos não-gerenciáveis das empresas. A não consideração ocorreu porque o saldo da conta foi positivo, o que resultaria em maior impacto nas tarifas. Por outro lado, a CVA foi considerada nas tarifas das quatro distribuidoras do Nordeste porque seu saldo foi negativo, fato que contribuiu para minimizar a correção das tarifas.
     A decisão sobre a CVA teve como motivação a Portaria Interministerial nº 116 (Fazenda e Minas e Energia), de 4 de abril de 2003, que ajustou a Portaria Interministerial nº 25/2002, adiando a compensação do saldo positivo dessa conta para os reajustes e revisões tarifárias que ocorrerem entre 8 de abril deste ano e 7 de abril de 2004. A mesma portaria dispõe que, em caso de saldo negativo, a CVA deve ser considerada para efeito tarifário imediato.
     As tarifas da RGE incluem a Recomposição Tarifária Extraordinária (RTE). Essa recomposição cobre a variação de itens da chamada Parcela A, que engloba os custos não gerenciáveis, ocorrida no período entre 1º de janeiro e 25 de outubro de 2001, conforme disposto na Lei 10.438/02. Ela representa correção de 2,9% para consumidores residenciais e de 7,9% para comerciais e industriais, percentuais que se somam ao índice de reposicionamento da RGE. Os consumidores de baixa renda estão isentos da cobrança da RTE. As tarifas da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), outra distribuidora gaúcha, também passarão a incorporar a RTE a partir de sábado (19/04), conforme decidido em seu reajuste anual ocorrido em 2002.
     A Aneel submeteu à consulta pública notas técnicas com as propostas preliminares de reposicionamento das tarifas e o Fator X das seis concessionárias. Os índices estimados foram discutidos com a sociedade em audiências públicas realizadas em março nos estados que abrigam as concessionárias que passam pela Revisão Tarifária Periódica.

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Prazo para contribuições à proposta
de universalização encerra hoje

    Termina hoje (17/04) o prazo para envio de contribuições à proposta com as regras gerais para a universalização do acesso ao serviço de energia elétrica no país. Os interessados em contribuir para o aperfeiçoamento do texto original proposto pela Aneel poderão fazê-lo também na audiência pública marcada para a próxima quarta-feira (23/04), a partir das 14h30, no auditório da Agência em Brasília. As inscrições para a audiência poderão ser feitas até no dia de sua realização.
     A regulamentação do processo de universalização, prevista na Lei 10.438, de abril de 2002, propõe prazo máximo até 2016 para que todos os consumidores brasileiros tenham acesso ao fornecimento de energia elétrica. As empresas terão metas e prazos diferenciados, de acordo com sua capacidade financeira e com o índice de atendimento à população.
     O texto em audiência pública determina também que as despesas para a ligação à rede elétrica serão de responsabilidade exclusiva das concessionárias de distribuição. Atualmente, esse custo é compartilhado entre as distribuidoras e seus consumidores.
     Segundo dados do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de domicílios, com um total de 11 milhões de consumidores, não têm acesso à energia elétrica. A maior parte desses consumidores está concentrada na área rural.

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Instalações de transmissão no Rio Grande do Sul serão reforçadas

     A Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) está autorizada a implementar reforços em instalações de transmissão que integram a Rede Básica do Sistema Elétrico Interligado, no Rio Grande do Sul.
     A distribuidora gaúcha irá construir o segundo circuito da linha de transmissão que interliga as subestações de Dona Francisca - Itaúba, de 230 quilovolts (kV) e com 23 quilômetros de extensão. Os reforços consistem ainda na implantação de duas entradas de linha, em 230 kV, nas respectivas subestações, localizadas nos municípios de Agudo e Pinhal Grande. Os empreendimentos devem entrar em operação até fevereiro de 2005.
     A Aneel também estabeleceu como remuneração do investimento receita anual de R$ 2.417.131,89 durante os primeiros 15 anos da prestação do serviço, válido a partir da data do início da operação comercial.

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Rápidas
  • A Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) recebeu autorização para realizar os estudos geológicos e topográficos necessários à elaboração do projeto da linha de transmissão Centro de Convenções - Trancoso, de 138 quilovolts (kV). A linha terá extensão aproximada de 16,55 quilômetros, e passará pelo município de Porto Seguro (BA).

  • As empresas Brascan Energética S/A e PCH Administração & Participações Ltda obtiveram autorização, dada inicialmente à Performance Recursos Humanos & Assessoria Empresarial Ltda, para exploração da pequena central hidrelétrica (PCH) Piranhas, de 18 megawatts (MW) de capacidade instalada. A transferência da autorização foi aprovada essa semana, e as empresas poderão atuar como produtoras independentes, com direito de comercializar, por sua conta e risco, a energia produzida pela usina. A PCH está localizada no município de Piranhas (GO).

  • A Aneel declarou de utilidade pública a área de terra necessária à passagem da linha de transmissão Imperatriz/Colinas/Miracema. A linha, de 517 quilômetros de extensão, opera com tensão de 500 kV e passa pelos municípios de Imperatriz, João Lisboa, Davinópolis, Governador Edson Lobão, Ribamar, Fiquené, Lajeado, Campestre do Maranhão e Porto Franco, no Maranhão, e pelos municípios de Aguiarnópolis, Mosquito, Darcinópolis, Palmeiras do Tocantins, Presidente Kennedy, Guaraí, Rio dos Bois, Miranorte e Miracema, em Tocantins. A declaração é em favor da Novatrans Energia S/A.

  • Também foi declarada de utilidade pública, em favor da CJ Energética Ltda, a área de terra necessária à implantação da pequena central hidrelétrica (PCH) São Bernardo, de 15 MW, localizada nos municípios de Barracão e Pinhal da Serra (RS).

  • A Aneel estabeleceu em 4,43 MW médios a energia assegurada para a PCH Várzea Alegre, localizada no município de Conceição de Ipanema (MG), de propriedade da Centrais Elétricas Mantiqueira S/A. Energia assegurada é o limite máximo de energia que a usina poderá contratar.

  • A cooperativa de eletrificação rural da Média Sorocaba (Cermeso) teve sua situação regularizada pela Aneel. A Cermeso foi enquadrada na condição de autorizada, ou seja, a energia que recebe é para uso exclusivo e para uso de seus associados. A cooperativa está localizada em São Paulo.

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Mais Energia

      Veja o número de outorgas de geração concedidas pela Aneel em 2003

Mês

Nº de usinas

Potência (MW)

Invest. estimado (em R$ milhões)

Janeiro

4

5,736

8

Fevereiro

38

231

475

Março

16

426

943

Abril

10

154

192

Total

68

817

1.619

     1 - As outorgas expedidas em 2003 dividem-se da seguinte forma: 20PCH, 40 termelétricas e 8 eólicas.
     2 - Desde que passou a funcionar, em 1998, a Aneel expediu 1.253 outorgas de geração (concessões, autorizações, registros e ampliações), que totalizam 57.863 MW e investimentos estimados em R$ 83,3 bilhões

Acompanhe o andamento das obras de geração (em MW)*

Ano**

2003

2004

2005

2006

2007

 

6.978,0

2.492,4

2.158,6

1.845,0

140,0

 

2.546,5

5.629,6

4.249,3

2.471,6

1.667,7

 

6.111,9

1.463,3

2.218,7

300,0

650,0

           

TOTAL

15.636,5

9.585,4

8.626,6

4.616,6

2.457,7

*Soma de todas as fontes de geração de energia elétrica.
** Previsão para entrada em operação.

 

  Não existem restrições para entrada em operação

 

  Existem restrições para entrada em operação ( Licenciamento ambiental etc)

 

  Graves restrições para entrada em operação (Liminar judicial, inviabilidade ambiental do empreendimento etc)


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