DISTRIBUIÇÃO

Evento internacional de geração distribuída termina com debate sobre modelos de negócios

Autor: ASSESSORIA DE IMPRENSA

Publicação: 22/06/2018 | 14:15

Última modificação: 25/06/2018 | 15:58

O segundo dia do Seminário Internacional de Micro e Minigeração Distribuída foi marcado pela apresentação de pesquisas sobre Geração Distribuída (GD) no Brasil, Estados Unidos e Colômbia. Também foram debatidos modelos de negócios relacionados à Resolução Normativa 482/2012, que regulamenta o tema.

O professor Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), falou sobre o projeto de P&D de inovação regulatória, cujo principal objetivo é consolidar conhecimento para analisar, de forma isenta, o impacto econômico da difusão da GD em três distribuidoras do Grupo Energisa. “O projeto tem duração de dois anos e conta com o trabalho de 15 pesquisadores nacionais e internacionais”, ressaltou Castro.

Walmir Freitas, professor da Unicamp, apresentou o projeto Telhados Solares, que consiste em 231 sistemas fotovoltaicos  que somam aproximadamente 850 kWp (quilowatts-pico) em unidades consumidoras atendidas por redes secundárias. O projeto tem duração de quatro anos (10/2014 – 09/2018) e investimento de R$ 14,8 milhões. “Os principais impactos técnicos observados foram: deterioração dos valores de fator de potência e violações dos limites superiores de tensão de atendimento (sobretensão), dos limites de desequilíbrio de tensão e dos limites térmicos de condutores”, enumerou Freitas. Diante do resultado, a principal recomendação foi em relação aos procedimentos de controle de tensão, de compensação de potência reativa e de transferência de carga.

O pesquisador Lucas Nascimento, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), abordou o papel da academia na evolução e consolidação do mercado de GD e ressaltou a importância da formação dos recursos humanos e da difusão do conhecimento para o setor produtivo. Também citou o desenvolvimento de técnicas de detecção de falhas e controle de qualidade e desempenho de sistemas fotovoltaicos.

O diretor da Harvard Electricity dos Estados Unidos, Ashley Brown, apresentou a perspectiva norte-americana sobre valor e precificação da geração solar distribuída. Segundo ele, os preços preferenciais para sistemas solares distribuídos distorcem os preços de mercado, não repassam aos consumidores os custos totais dos painéis solares e diluem os sinais de preços de eficiência energética. “Na prática, ocorre um desencorajamento da produtividade tecnológica e a energia solar fica prejudicada a longo prazo”, afirmou Brown.

Isaac Dyner, professor da Universidade de Bogotá, falou sobre a regulação do mercado colombiano de energia e os incentivos que devem impulsionar, nos próximos anos, o crescimento da GD em seu país. Segundo Dyner, “a Colômbia está atrasada em relação a outros países da América Latina, principalmente em relação ao Brasil, no que diz respeito a energias renováveis”.


Cooperativismo e empreendedores

O analista Marco Olívio de Oliveira, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), falou sobre a geração compartilhada no cooperativismo brasileiro e ressaltou que os principais desafios são produzir energia nas 6.655 cooperativas já existentes e formar novas cooperativas de consumidores e geradores de energia. Segundo ele, a OCB está participando da audiência pública que trata do aprimoramento da Resolução 687/2015 da ANEEL sobre geração distribuída. “Desde janeiro de 2016, a OCB e Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV) estudam iniciativas no sentido de planejar e executar ações de fomento ao cooperativismo de geração distribuída”, destacou.

O representante da Alsol Energias Renováveis, Gustavo Buiatti, apresentou modelos de negócio nos condomínios e ressaltou as dificuldades encontradas para concretização dos projetos de GD, tais como competição com aquecimento solar (condomínios horizontais), telhados “poluídos” com antenas, condensadores de ar condicionado e  estacionamentos sombreados por edificações. Bárbara Rubim, da BR Strategies,  elogiou a iniciativa da ANEEL em discutir a micro e minigeração distribuída e ressaltou que ainda há muito o que se avançar em termos de autoconsumo remoto e geração compartilhada.

Ao participar do último painel de debates, o Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Eduardo Azevedo, agradeceu à ANEEL pela iniciativa em promover o evento e anunciou que o Governo Federal irá lançar em breve um leilão para aquisição de energia proveniente da geração distribuída para compensar os benefícios tarifários dos consumidores abrangidos pela Tarifa Social de Energia cobertos atualmente pela CDE.